radicalmentelivre

domingo, 3 de fevereiro de 2008

mãe natureza

No alto da colina
Ouvi um pássaro chilrear
Voz fina e linda
Enfeitiçou-me ouvi-lo cantar


Chilrear muito metódico
Cheio d’encanto e beleza
Naquele espaço bucólico
Libertou-me toda a tristeza


Espaço verdejante, tão rico
Manchado de tanta nobreza
Assim parado fico
A observar aquela beleza


Vi cavalos, répteis e veados
Naquele quadro pintado
Ali não estavam limitados
Não eram domésticos encarcerados


Fiquei tão animado
Que me perdi no tempo
Foi como estivesse drogado
A ver o quadro naquele momento


O meu tempo naquele espaço
Foi muito prolongado
Enchi de aromas meu regaço
Que cheguei a casa atrasado


©Sá Mota * Dezembro de 2006

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Tributo à mulher

A mulher é muito gira
Atraente e aveludada
O seu corpo é magia
Torna-se encantada

Seus cabelos ondulados
Seu olhar de sedutora
Fico com os lábios molhados
Quando observo a pintora

Seu corpo é tão esbelto
É como um quadro pintado
Que qualquer analfabeto
Sabe atiçar olhado

Mesmo perfeita e bela
Esse ser predilecto
Quando a vejo à janela
Olho-a suavemente discreto

Observo atentamente
A sua bela candura
É deveras muito atraente
O olhar de madura

É mesmo doçura
Contemplá-la sempre
A sua formosura
Cura-me a mente

Ao vê-la sentada à mesa
Imagino seu paladar
Aprecio a sua beleza
Contemplo-a com o olhar


Tomei meu café
Como habitualmente faço
Já pensei numa torneé
Para acolher-me no regaço

Ela, os belos seios esbanja
Põe-me desgovernado
Esses frutos de laranja
Tem sabor adocicado

Esses frutos no peito
São deveras saborosos
Acariciados com jeito
Tornam-se mais apetitosos

Frutos de grande qualidade
Essas duas saliências
Dão-me tanta felicidade
Elevando-os às evidências

Saborear esse ser
Dos pés à cabeça
O prazer de a aquecer
Não é sabor que desvaneça

A poesia é uma arma
Que a mulher muito adora
Que o homem apague a chama
Do anoitecer ao romper aurora

Para melhor compreender
O seu corpo atraente
A felicidade de escolher
A prosa abaixo do ventre


©Sá Mota. Dezembro 2006.

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quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

solto reparo

Subi ao Monte do Crasto
Triste e desolado fiquei
Vi espetado aquele mastro
Comovido até chorei

Aquele mono no alto está
Enterrado ao lado da capela
É tão feio aquilo lá
Merecia mesmo uma sacudidela

O acesso não tem dignidade
Está todo esburacado
A subida é uma dificuldade
Os autarcas tem-no desprezado

Por ali abunda
Muito lixo espalhado
O prevaricador da barafunda
Deveria ser multado

O espaço deveria ser atractivo
Para o visitante lá subir
Torná-lo-ia convidativo
Para um belo sonho emergir

Fiquei deveras desolado
Com tanta porcaria
Local tão abandonado
Retira-lhe toda a alegria

O espaço deveria estar dotado
Com mesas e bancos em granito
Ficaria o visitante sossegado
Para melhor relaxar o espírito

Em 15 de Agosto
Dia de romaria
A junta não tem gosto
Da limpeza naquele dia

No dia da romaria
Ficam desolados os romeiros
Ao ver tanta porcaria
Não é fácil saborear os merendeiros

Ao Monte do Crasto subi
E Neiva visualizei
A freguesia pouco sorri
O desordenamento censurei

O espaço industrial
D’arquitectura desenquadrada
À freguesia fizeram tão mal
C’atmosfera tornou-se conspurcada

Freguesia com espaço reduzido
E com mui pouco investimento
O manto arbóreo foi ferido
A junta é um desalento

Aos membros da autarquia
Vaidade não lhes falta
Interessados apenas na maquia
Ainda gozam com a malta

© Sá Mota. Dezembro 2006

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domingo, 27 de janeiro de 2008

Rimas "grotescas"

Nas campanhas
Prometem muitos benefícios
São tantas as artimanhas
Não passam de malefícios

Nessa altura de campanha
Opovo não é esquecido
Percorrem as aldeias Vilas, cidades e feiras
Cantam-nos o fado do bandido

Nas aldeias, vilas, cidades e feiras
Somos todos iguais
Falam com tanta matreira
Vão para o governo
Já somos desiguais

Neste executivo ‘socialista’
O trabalhador é enganado
O governo protege o capitalista
Roubam-no até ao último centavo

O governo do PS
É a direita a governar
O trabalhador não merece
Que o continuem a maltratar

Neste país de tecnocratas
Está tudo sob controlo
Disfarçam, vestindo gravatas
E comem-nos até ao miolo

Hipócritas são o que mais há
Neste nosso Portugal
O governo do Sócrates lá está
Para nos dar muito festival

Esse festival não é o popular
É deveras o de massacre
Aterroriza-nos só a falar
E até nos mata a saque

CDSs, PSDs e PSs
São todos iguais
Até na rima dos ss
Se associam p’rás benesses

Maluco é o eleitor
Nas urnas dar-lhe maioria
Não terão grande louvor
Ao escolherem esta porcaria

Claro que o povo também
Tem responsabilidade
Quando escolheu alguém
Que lhe tira a identidade

Sabem que não é mentira
O que aqui retrato
Não nos dão comida
Já nos partiram o prato

Está tudo como antigamente
Espalhado por este país
A corrupção e vigarice
São ensinados desde petiz

Nesta sociedade matreira
Os trabalhadores já são de 2ª
Tiram-lhe os euros da algibeira
Põem a malta moribunda

Os aumentos são desiguais
Neste canto de burlões
Os malandros ganham demais
Safam-se sempre os aldrabões

Nova categoria surgiu
Em qualquer local de trabalho
Vão pá puta que os pariu
Vão todos pró caralho

Sorriem por tudo e por nada
Cada vez mais querem pular
Esta corja acanalhada
Ameaçam-nos com faca e alguidar

Falta de cultura, ética e aprumo
Seguem a literatura da telenovela
Infelizmente é este o rumo
Da moral da lapela

[sá mota Dezembro de 2006]

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Sentimentos de revolta

Nesta quadra que atravessamos
Esbanja-se em demasia
A solidariedade que falamos
É de tamanha hipocrisia

Solidariedade! Servir-se desta, porquê
Nesta época de Natal
Se o pobre nada vê
Para os ricos é um manancial

Não fugimos à realidade
O que se faz nos 12 meses
É tanta falsidade
Da balela dos burgueses

Abraçam-se socialmente
Imposturice não lhes falta
Nas fábricas consecutivamente
É coices e pontapés na malta

Os patrões têm os pobres ao seu dispor
Exploram-nos com toda a crueldade
Usam-nos nesta época com fulgor
É tanta hipocrisia e falsidade

É com estes oportunistas
Que temos de coabitar
Até se afirmam socialistas
Servem-se dos pobres para governar

Os ricos com tanta ganância
Roubam tudo aos pobres
Prometem-lhes abundância
Mas não lhes pagam os cobres

Poderão chamar-me louco
Será o que pareço
A revolta não é dum mouco
É constatação que conheço

Não me venham com hipocrisias
Seus beatos de lapidão
Estas minhas manias
São conhecimentos com razão

Não é mentira o que escrevo
Nestas quadras de revolta
Pretendem fazer-me de cego
Mas o tirano já anda à solta

O poder é a desumanidade
Nesta democracia musculada
Criaram a desigualdade
Já nos oferecem porrada

Nos vários locais de trabalho
Já se não pode opinar
Só falta bater com o malho
Escravidão está a regressar

O capitalismo tudo criou
Terrorismo é o que está a dar
A exploração do capital voltou
Os direitos são para retirar

A palavra trabalhador
Praticamente, não existe
Substituída por colaborador
O empregador com o termo insiste

© Sá Mota. Dezº2007

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