radicalmentelivre

domingo, 8 de junho de 2008

Semdemora

O fosso entre ricos e pobres é maior em Portugal
Sou, sem querer, mais uma voz a juntar-me à de tantos e tantos portugueses que vivem mergulhados num grande desânimo quanto ao presente e num grande medo quanto ao futuro. Estes sentires vão-se manifestando um pouco por tudo quanto é sítio e será muito desejável que se lhes acuda a tempo.

Portugal anda muito mal disposto, Portugal está zangado, Portugal não pode esperar mais: os portugueses precisam de trabalho justamente remunerado, precisam de pão na sua mesa, precisam de ver respeitados os seus direitos enganados de saúde, de justiça, de educação, de segurança.

Espantam-nos, a sério, os dois mundos que se vão construindo em Portugal: o mundo lá de cima, dos ultra-ricos e ultra-remunerados, e o mundo cá de baixo, dos pobres e ultrapobres. Até já os da faixa do meio sentem o terreno a fugir-lhes.

Tenho passado a minha vida nesta luta, quantas vezes gritando que a fome é má conselheira.

Com todos os meus concidadãos, desejo ardentemente que Portugal viva: com pão, com trabalho, com dignidade, com sonho, com futuro. E continuo a acreditar firmemente que todos juntos podemos e vamos construir um Portugal assim.
D.MANUEL DA SILVA MARTINS (1º Bispo de Setúbal)
Publicado no notíciasmagazine, 08JUN2008.

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segunda-feira, 19 de maio de 2008

Indiferentes

"A fatalidade que parece dominar a história não é mais do que a aparência ilusória desta indiferença, deste absentismo. Os factos maturam na sombra; poucas mãos não vigiadas por nenhum controle, tecem a teia da vida colectiva, e a massa ignora porque não se preocupa. Os destinos deuma época são manipulados conforme as visões restritas, as finalidades imediatas, as ambições e paixões pessoais dos pequenos grupos activos, e a massa dos homens ignora-os porque não se preocupa. Mas os factos amadurecidos acabam por desaguar; mas a teia tecida na sombra acaba por se cumprir: e então parece que é a fatalidade a derrotar tudo e todos, parece que a história não é mais do que um enorme fenómeno natural, uma erupção, um terramoto de que todos são vítimas...
...aquele que está à janela, de atalaia, quer usufruir do pouco bem que a actividade dos poucos consegue e desafoga a sua desilusão vituperando o sacrificado, o esgotado,porque não conseguiu o seu intento.
Vivo, sou participante. Por isso odeio o que não participa, odeio os indiferentes".
In, escritos políticos, volumeI, António Gramsci.[colecção universidade livre, Seara nova]

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sábado, 19 de abril de 2008

Revisão da lei autárquica chumbada pela oposição

Não se consumou o crime de caciquismo local

O diploma conjunto do PS e do PSD de revisão da lei eleitoral autárquica foi chumbado no Parlamento com os votos contra de toda a oposição, incluindo o PSD. Uma das alterações mais substanciais assegurava à força política mais votada em cada autarquia a maioria absoluta dos membros do executivo, mesmo que tivesse obtido apenas uma maioria relativa dos votos. Luís Fazenda, líder parlamentar do Bloco, afirmou ao Esquerda.net que com este chumbo "não se consumou o crime de caciquismo local".
Apenas o PS votou a favor do projecto de lei eleitoral autárquica que apresentou e aprovou na generalidade com o PSD em Janeiro, na altura com os votos contra da restante oposição. Na votação desta quarta-feira, o PS foi o único a votar a favor, registando-se ainda a abstenção de Manuel Alegre. As leis eleitorais só podem ser revistas com o voto de dois terços dos deputados, o que com a actual composição do parlamento implica um acordo entre o PS e o PSD ou entre o PS e todos os outros partidos, o que não se verificou.
O projecto de lei do PS e do PSD tinha entrada em vigor prevista para as autárquicas de 2009 e assegurava à força política mais votada em cada autarquia a maioria absoluta dos membros do executivo, independentemente do resultado eleitoral. Depois de ter acordado a nova lei com o PS, o PSD veio exigir a reposição do voto dos presidentes de juntas de freguesia na votação dos planos e orçamentos municipais, e a possiblilidade de o candidato mais votado poder escolher para o executivo membros de outras listas. Sem o consentimento do PS nesta matéria, a ruptura tornou-se iminente e consumou-se na votação desta quarta-feira.Para Luís Fazenda, este chumbo constitui "uma vitória da democracia" dado que não se consumou o "crime de caciquismo local" que daria todo o poder aos Presidentes de Câmara e aos dois grandes partidos do centro que mesmo ganhando eleições com maioria relativa teriam sempre garantida a maioria absoluta na composição dos vereadores na Câmara. Fazenda lembrou contudo que se perdeu uma oportunidade, tal como foi proposto pelo Bloco de Esquerda, para "reforçar as competências das Assembleias Muncipais na fiscalização dos executivos camarários".

( retirado de Esquerda.Net)

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